Respirar pela boca causa desde mal desenvolvimento do maxilar até voz rouca

Alergias respiratórias podem provocar alterações nas funções orais, anatomia e órgãos vocais.

boca

Época de tempo frio e seco, nosso inverno tropical tem sido o tormento das pessoas propensas a alergias de vias aéreas superiores, quer sejam estas rinites, sinusites ou asmas. Sobretudo as crianças, que pelo fato do organismo infantil ainda estar em desenvolvimento, necessitam de atenção redobrada. Episódios constantes de obstrução nasais, muitas vezes somadas a maus hábitos orais, como uso de chupeta, chupar o dedo, ausência mastigação adequada, entre outros, muitas vezes acabam por estabelecer um padrão respiratório inadequado, ou seja, unicamente ou preferencialmente pela boca.

Os problemas e alterações de saúde provenientes desse hábito são muito maiores do que precisar limpar o nariz frequentemente. Insuficiência de ar, cansaço, dor nas costas, diminuição de olfato e ou paladar, halitose, boca seca, acordar engasgando durante a noite, dormir mal, olhar triste, olheiras, cuspir saliva ao falar e dificuldade de realizar exercícios físicos estão entre as dificuldades frequentes de um paciente que não use corretamente o nariz para respirar.

Para facilitar o entendimento, vamos citar algumas das alterações possíveis de serem encontradas no respirador oral, segundo artigo da fonoaudióloga Irene Marchesan:

Alterações crânio faciais e dentárias

Ângulo goniaco aumentado (face longa)
Palato ogival ou inclinado
Dimensões faciais estreitas
Hipodesenvolvimento dos maxilares
Microrrinia com menor espaço na cavidade nasal
Desvio de septo
Mordida cruzada e/ou aberta
Protrusão dos incisivos superiores.

Alterações dos órgãos fonoarticulatórios

Hipotrofia, hipotonia e hipofunção dos músculos elevadores da mandíbula
Alteração de tônus com hipofunção dos lábios e bochechas
Lábio superior retraído ou curto e inferior evertido ou interposto entre dentes
Lábios secos e rachados com alteração de cor
Gengivas hipertrofiadas com alteração de cor e frequentes sangramentos.

Alterações corporais

Deformidades toráxicas
Musculatura abdominal flácida e distendida
Olheiras com assimetria de posicionamento dos olhos, olhar cansado
Cabeça mal posicionada em relação ao pescoço trazendo alterações para a coluna no intuito de compensar este mal posicionamento
Ombros caídos para a frente comprimindo o tórax
Alteração da membrana timpânica, diminuição da audição
Face assimétrica visível.

Alterações das funções orais

Mastigação ineficiente levando a problemas digestivos e engasgos pela falta de coordenação da respiração com a mastigação
Deglutição atípica com ruído, projeção anterior, contração exagerada de orbicular, movimentos compensatórios de cabeça
Fala imprecisa, trancada com excesso de saliva, sem sonorização pelas otites freqüentes com alto índice de ceceio anterior ou lateral
Voz rouca ou anasalada.

Outras alterações possíveis

Sinusites frequentes, otites de repetição
Aumento das amígdalas faríngeca e palatinas
Halitose e diminuição da percepção do paladar e olfato
Maior incidência de cáries
Alteração do sono, ronco, baba noturna, insônia, expressão facial vaga
Redução do apetite, alterações gástricas, sede constante, engasgos, palidez, inapetência, perda de peso com menor desenvolvimento físico ou obesidade
Menor rendimento físico, falta de coordenação global com cansaço frequente
Agitação, ansiedade, impaciência, impulsividade, desânimo
Dificuldades de atenção e concentração gerando dificuldades escolares

Podemos perceber a importância de estar atento quanto à adequada atividade nasal, lembrando que o nariz filtra, aquece e umidifica o ar durante sua passagem rumo aos pulmões. O um dos papeis do fonoaudiólogo é auxiliar a criança ou o adulto nesse aprendizado, evitando problemas no futuro ou ajudando a reverter quadros que já estejam instalados. Em qualquer idade, devemos cuidar de nosso aporte de ar como cuidamos de nosso aporte de alimentos!

Fonte: Minha vida

 


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