Derrube nove mitos sobre exames médicos

As visitas anuais ao médico são um sinônimo para bateria de exames. Os exames laboratoriais devem ser feitos sempre após uma consulta médica, já que eles são um complemento da avaliação clínica do paciente. Ele irá avaliar sua idade, histórico familiar e outras doenças relacionadas, estudando a sua necessidade de fazer aqueles exames e analisar os resultados com propriedade.

Horas de jejum, a busca por um acompanhante e a dificuldade de encontrar horário na agenda são alguns dos dilemas de quem enfrenta o check-up. Mas, felizmente, esses cuidados não são necessários para todos os testes que você irá realizar. Confira a lista com os principais mitos sobre exames médicos e quando realmente é preciso tomar essas precauções:

exames

Nem todo exame precisa de jejum

Existem, sim, alguns exames em que o jejum de 12 horas é necessário, mas esses são uma minoria. “O jejum precisa ser feito porque os valores de referência dos exames de laboratório foram estabelecidos em seres humanos dentro desse estado de jejum”, explica o patologista Nairo Sumita, assessor médico na área de Bioquímica Clínica do Fleury Medicina e Saúde. “A melhor maneira de minimizar fatores que possam interferir nos valores é manter o jejum para testes que sofrem interferência da alimentação no resultado.” Entretanto, nem todos pedem um jejum de 12 horas – alguns exames necessitam de oito horas de jejum, outros de três horas, e tem aqueles que não necessitam de jejum.

Segundo o especialista, existem dois exames em que o jejum deve ser feito com certeza: a dosagem de glicose no sangue (glicemia) e dosagem do perfil lipídico (colesterol e triglicérides). Nesses casos, o jejum de oito e 12 horas é necessário porque é o tempo que o organismo leva para metabolizar glicose e gordura, respectivamente.

Uma dica para não ficar horas sem comer é marcar os exames pela manhã, uma vez que você passará boa parte do jejum dormindo. Lembrando que você pode ingerir água durante o período de jejum, mas evitando grandes quantidades. ”

Também não devemos passar mais de 14 horas em jejum, pois a partir desse período nosso metabolismo começa a ficar alterado.”

Irei perder o dia inteiro?

O importante é se planejar e em primeiro lugar se informar com o laboratório quais são os horários de pico. Os laboratórios em geral costumam ficar mais cheios de manhã por conta dos exames que são realizados em jejum. Mas será que ele é necessário para o seu caso? Por isso, também é importante tirar a dúvida com o seu médico.

“Os exames de sangue no geral levam minutos para serem realizados, permitindo a pessoa retomar suas atividades após”, explica o patologista clínico Gustavo Rassi, presidente da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica – regional Goiás.

Segundo os especialistas, os exames que necessitam de anestesia são os que pedem mais atenção, uma vez que o efeito demora a passar e o paciente precisa ficar em repouso. Exemplos de exames feitos com anestesia são a colonoscopia e a endoscopia. Além disso, outros testes podem demorar mais tempo para serem realizados, como uma ressonância magnética ou dermatoscopia digital. Se você estiver na dúvida sobre quanto tempo reservar para o exame, pergunte ao médico ou laboratório.

Frequência dos exames

Ao falar em check-up médico, logo nos vem à cabeça aquela bateria interminável de exames que devemos fazer todo o ano. Há quem separe dias inteiros nas férias dedicados a isso, e também aqueles que têm preguiça só de pensar na quantidade de testes. Para os que se enquadram no último grupo, saibam que nem todo o exame precisa ser repetido anualmente – tudo dependerá da orientação médica. A densitometria óssea, por exemplo, é indicada a cada dois anos para acompanhar a densidade óssea a impedir o aparecimento da osteoporose. Já a colonoscopia, o exame que investiga a saúde do intestino, é indicado a cada cinco anos em pessoas assintomáticas e acima dos 50 anos. “Outros exames são pedidos apenas para pessoas que tem algum sintoma, como deficiências nutricionais ou tomografias, não sendo necessário repetir anualmente”, explica o patologista Nairo Sumita, do Fleury Medicina e Saúde.

Será que vai doer?

A possibilidade de sentir dor pode fazer muitos pacientes desistirem de seus exames. Entretanto, testes mais complicados, como colonoscopia e endoscopia, podem ser feitos com anestesia e sem qualquer dor. Mesmo a dor da picada nos exames de sangue pode ser controlada se você estiver relaxado e conversar sobre seu medo com o profissional que aplicará o teste. O importante é não deixar esse detalhe atrapalhar sua rotina em pró da saúde.

Exames de coleta

Testes com amostras de urina e fezes podem ser um tormento para aqueles com a bexiga e intestino mais lentos. Por sorte, você não precisa ter uma data marcada para entregá-los e muito menos fazê-los obrigatoriamente no laboratório. “O exame de urina, que é uma urina normal, a orientação é que o paciente fique três a quatro horas sem urinar para conseguir coletar já no laboratório”, diz o patologista Nairo. Se mesmo com essa orientação a pessoa não conseguir urinar, ela vai para casa com o potinho da coleta e segue as orientações do profissional. “Já o exame de fezes depende da pessoa, e por isso ela pode coletar em casa ou em um local fora do laboratório, sempre seguindo as instruções do médico”, lembra o especialista.

Você deve estar perguntando o que fazer com esse potinho de urina ou fezes fabricado em domicílio. E a resposta é simples: para exames de urina, o ideal é levar ao laboratório em até duas horas, uma vez que o contato com o ar pode favorecer a proliferação de bactérias, comprometendo os componentes urinários e induzindo o médico a um diagnóstico equivocado. “Testes para detecta

r infecção urinária devem ser entregues frescos, para não levantar falsas suspeitas”, explica. O exame de fezes pode ser entregue até 24 horas depois da coleta, devendo ser mantido em refrigeração até chegar ao laboratório.

Mudança de hábitos

Buscando o melhor resultado muitos pacientes procuram largar vícios, como cigarro e álcool, dias ou semanas antes do exame por conta própria, para depois retomá-los. De acordo com o patologista Nairo, alguns inclusive começam a fazer exercícios nesse período, a fim de ganhar uns pontinhos no laudo médico. “Entretanto, essas práticas não são recomendadas, uma vez que o médico precisa avaliar o estado real do paciente”, diz. Apenas o médico ou o laboratório poderão recomendar o abandono do cigarro, álcool, medicamentos , assim como a prática de jejum, atividades sexuais, entre outros hábitos, visando a realização do exame.

É sempre necessário um acompanhante?

A principal preocupação ao fazermos a bateria de exames é passar mal ou sofrer algum tipo de complicação. Seguindo essa linha, muitos acreditam que seja necessário levar um acompanhante para qualquer teste que seja feito, de forma a minimizar qualquer dano. “A equipe do laboratório está preparada para qualquer tipo de problema e habilitada a dar qualquer tipo de informação sobre os exames”, afirma o patologista clínico Gustavo, do Fleury Medicina e Saúde. Dessa forma, perder a data de um exame por falta de companhia pode não ser a melhor escolha e movimentar a família para esse fim pode ser um exercício em vão. “Os testes feitos com anestesia, sim, necessitam da presença de um acompanhante, uma vez que o paciente não estará em condições de voltar para casa sozinho após o exame”, afirma o especialista. Na dúvida, converse com o seu médico ou com o laboratório na hora de marcar o teste.

Seu estado de saúde pode interferir nos resultados

Até um simples resfriado pode fazer a diferença. Se for um exame de check-up, o melhor é avaliar o estado de saúde em condições habituais. Segundo o patologista Nairo, um paciente com uma doença muitas vezes sofre alterações momentâneas de alguns exames laboratoriais, por conta da luta do organismo contra um agente agressor. “Dessa forma, o ideal é remarcar o exame e esperar até que a pessoa esteja recuperada”, afirma. No entanto, se os testes estão sendo pedidos para diagnóstico ou acompanhamento de uma doença, a ideia é que os testes sejam feitos em curso com o problema.

Continuar ou cessar a medicação

Pacientes em tratamento não devem deixar de tomar suas medicações para fazer um exame, a não ser que seu médico lhe peça para interromper. “Para testes que devem ser feitos em jejum, a orientação é tomar o medicamento após a coleta de sangue”, afirma o patologista Nairo. Quando for marcar o exame, tente escolher o horário logo antes de ingerir o medicamento, de forma que você não precise atrasar a dose e nem correr o risco desta interferir no resultado do teste. “Conforme as horas passam, a concentração do medicamento vai diminuindo em nosso sangue, por isso o ideal é fazer o exame o mais longe possível da última dose”, lembra o especialista.

Fora isso, há situações em que o médico quer saber como está o seu corpo na vigência do medicamento, se a dose está correta e fazendo efeito. “Nesses casos, o paciente irá usar o medicamento de forma habitual e contínua”, conta Nairo. Esse tipo de exame é pedido para que o médico possa avaliar possíveis efeitos colaterais do remédio e se ele precisa diminuir ou aumentar a dose.  

Fonte: www.minhavida.com.br


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